Natação e Mergulho no México


Chichen Itza - México
Primeiro dia:
Nossa viagem começou com a nossa ida para o aeroporto de Florianópolis na "barca", que é como o Marcos Pinheiro, nosso guia e companheiro de viagem, apelidou carinhosamente a caminhonete na qual ele anda e leva até 11 pessoas mais bagagem para todos os lugares. Optamos por viajar pela Lan Chile, então tivemos que ir até Santiago do Chile para de lá seguir até o México. Isso deixou a viagem mais barata e também um pouco mais longa. O curioso foi ver quantas vezes conferiram o nosso visto tirado via internet para entrar no México: duas vezes em São Paulo três em Santiago e, é claro, uma no México. É por causa da confusão que os brasileiros fazem com apellido e nome que significam sobrenome e nome em espanhol.

Segundo dia:
Enfim, depois de 13 horas pisamos na Cidade do México. Esta megalópole foi fundada pelos Astecas e corresponde à antiga Tenochtitlán, que exerceu desde os tempos coloniais uma grande influência em toda a América espanhola. Atualmente, a Cidade do México é o centro econômico e político do país e é uma das maiores metrópoles do mundo. Nossa saída do Aeroporto foi em grande estilo, numa enorme caminhonete Suburban. Entramos na cidade com um trânsito ameno, já que era manhã muito cedo. Deixamos as maletas no hotel e mergulhamos na cidade: a pé, de metrô e depois ônibus comum de linha com destino à Teotihuacan. Teotihuacan foi uma grande cidade Azteca. Começou a ser construída há quase dois mil anos, muito antes de qualquer das atuais capitais européias. Chegou a ter mais de duzentos mil habitantes e é a prova de um desenvolvimento que antecedeu a invasão da civilização ocidental. Teotihuacan significava, na língua náhuatl, “o lugar onde nasceram os deuses”. Era tão grandiosa para sua época que chegou a estender a sua influência até ao longínquo mundo maia, em Tikal (na atual Guatemala). Nesta visita, não se pode deixar de subir ao topo da Pirâmide da Lua com os seus 78 metros de altura e 248 degraus - leva-se uns 10 minutos para isto. É a terceira maior do mundo, só perde para a de Quéops no Egito e à de Cholula também no México. Lá de cima pode-se ter uma idéia da grandiosidade da cidade que em termos de organização da ocupação do terreno supera a maioria das cidades modernas. Depois da visita fomos apresentados à comida Mexicana do local. Declinamos de comer os famosos Escamoles, o caviar mexicano, composto por larvas de formigas. Mas não escapamos da comida trivial mas bem apimentada que fez o consumo de água gelada aumentar muito. Para voltar do restaurante ao ponto por aonde passava o ônibus optamos por tomar um transporte local, uma Kombi cheia de humildes e simpáticos mexicanitos. Depois foi fácil! Só repetir todo o caminho ao contrário. Após a viagem longa e 24 horas sem dormir direito além da diferença de 4 horas de fuso horário com o Brasil, estávamos tão cansados que alguns nem conseguiram tirar as roupas e dormiram assim mesmo vestidos. Mas foi ótimo. Eu havia prometido para mim mesmo que não morreria sem ver de perto aquelas pirâmides.
Pirâmide da Lua - Teotihuacan México


Terceiro dia:
Renovados por uma boa noite de sono na temperatura amena da cidade levantamos muito bem dispostos. Nesta época do ano, em dezembro, faz frio à noite chegando a 7 graus, mas durante os dias as temperaturas são amenas por volta dos 25 graus. Depois do desayuno saímos para visitar a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, que é a padroeira do México. Fomos de Metrô que é nesta cidade um meio de transporte barato, seguro, fácil e limpo. Nas vésperas da comemoração da festa anual de Nossa Senhora os arredores da Basílica transformam-se em uma animada manifestação de sincretismo religioso aonde se misturam a fé católica com outras crenças e tradições indígenas. Vestes multicoloridas, danças, cânticos e um animado comércio religioso movimentam a praça em frente à Catedral e as ruas próximas. É imperdível! Já dentros dos limites do terreno da Basílica, encontra-se um verdadeiro parque temático religioso com muitas igrejas, capelas, missas e cultos acontecendo a toda hora. Há pessoas demonstrando sua fé através das vestes, de orações, de cânticos e de danças em todos os lugares. Ao meio dia corremos para o terminal rodoviário para embarcar em um ônibus para Acapulco. Afinal lá está o nosso principal objetivo desta viagem. O 53o Marathon Guadalupano. Vamos lá para nadar 1000 e 5000m na Baía de Acapulco. A viagem leva 5 horas e é feita em um moderno e confortável ônibus por uma estrada com pista dupla impecável. Acapulco é uma cidade e porto mexicano localizado no estado de Guerrero, no sudoeste do país, é uma região turística importante, especialmente entre os meses de dezembro e abril com temperaturas muito agradáveis é conhecida como a Riviera Mexicana e ficou muito famosa por uma de suas atracões, os clavadistas de La Quebrada, homens e mulheres que de uma altura de 35 metros, mergulham ao mar entre afiados rochedos. Jantamos a beira do mar e da piscina com uma vista estonteante da enseada à noite. Agora vamos dormir porque amanhã bem cedinho temos a prova de 1000m. 
Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe


Quarto dia:
Dia da prova de 1000m do Marathon Guadalupano. Logo entendemos qual o sentido do termo maratona neste caso: nadar os 1000 m é a parte fácil. São mais de 4000 nadadores inscritos que devem ser levados até uma pequena ilha e de lá vem nadando. Então pode-se imaginar a logística que deveria estar preparada para isto. Enfim, após algumas dificuldades, todas superadas, a parte da natação foi ótima. Água limpa e quente, mar calmo e sem correntes, completamos mais uma! Voltamos da travessia em um ônibus local todo colorido tocando bem alto músicas do Roberto Carlos cantando em espanhol. A passagem custa 5 pesos mas a música e todo o conjunto da situação inusitada nao tem preço! Depois, à noite fomos ver a atração mais emblemática de Acapulco. Os Clavadistas de La Quebrada. Jovens mergulham de uma altura de até 35 metros entre os rochedos em um lugar que a profundidade é em torno de 7 m. Então eles tem que esperar que uma onda maior aumente a profundidade para poder pular lá de cima executando saltos bem elaborados. A imagem ficou famosa quando apareceu em filmes do Tarzã. É imperdível e os meninos são muito corajosos. Quando estávamos em Lá Quebrada sentimos a Rocha tremer e pensamos que era o efeito das ondas quebrando nas pedras lá embaixo. Depois descobrimos que tinha ocorrido um terremoto de 6,5 pontos com epicentro a 150km de Acapulco. 
Pórtico de Chegada do Maraton Guadalupano


Quinto dia:
Aguas Malas: Nossa Senhora de Guadalupe! Dia da prova de 5000m. Cedinho fomos para a largada havia muitos nadadores. Tudo ocorreu de forma muito normal até que nós tivéssemos nadado uns 50 metros. Então começaram a aparecer as água vivas, que em espanhol se diz águas malas. Eram muitas e à medida que progredíamos ao lado de uma enorme escarpa foram aparecendo mais e mais. Centenas, milhares, milhões. Em alguns minutos estávamos nadando num mar que parecia ser só de águas vivas. A cada braçada eram milhares de agulhadas em todo o corpo. Muitos nadadores desistiram, mas resolvi continuar e completar a prova. Como era o dia dedicado à Senhora de Guadalupe padroeira dos mexicanos, paguei todos os meus pecados e, de quebra, os de todos os meus amigos! O banho na piscina do hotel construída sobre um penhasco da baía de Acapulco e almoço no restaurante com uma vista magnífica foi um prêmio merecido. Viajamos por uma companhia aérea chamada Interjet com um atendimento muito bo, na verdade, o melhor da nossa viagem. Na sequência ida para o aeroporto e iniciar a viagem para Mérida, uma cidade no sudeste do México que servirá de base bara nossas visitas na Península de Yucatán. 
Marcos Pinheiro no Caiaque e ao fundo a Cris e Osni - início dos 5000m


Sexto Dia:
A viagem pela Aeromexico foi muito boa. Chegamos na véspera à Mérida que é a capital e a maior cidade do estado do Iucatã, no México. Localiza-se no sudeste do país e tem cerca de 800 mil habitantes. É a cidade grande mais horizontal que conheço,. Quase todas construções são baixas. O hotel Del Carmen, aonde ficamos é um dos mais altos que vi e tinha três andares e há pouquíssimos mais altos. Cedo tomamos el desayuno e saímos de minicarro para nosso passeio mais longo. Saímos em direção á Chichén Itzá que é uma cidade arqueológica maia que preserva várias estruturas entre elas, as que chamam mais a atenção são a pirâmide e a Praça das Mil Colunas. A pirâmide foi provavelmente o último e mais grandioso templo da civilização maia. Depois da visita seguimos para Tulum. O jantar em Tulum foi exatamente o que estava sendo idealizado durante a viagem, um belo peixe fresco inteiro grelhado na chapa. Alguns experimentaram a forte tequila mexicana e a noite ficou mais descontraída. Exquisitos tacos, natchos e pimenta bem forte também fizeram parte do lauto jantar. Ficamos em hotelzinho bem simples chamado Chilam Balam. 
Tulun - México

Sétimo dia:
Pela manhã, depois do simpático café da manhã em um lugarzinho ao lado do Hotel seguimos direto para a Riviera Maia, que é o nome turístico daquela região do litoral caribenho mexicano. Alí em Tulum estão as únicas ruínas de uma cidade maia à beiramar. Tulum em maia significava barreira ou parede pois a cidade encontra-se rodeada por uma muralha de proteção. Quando os espanhóis chegaram ela ainda era habitada mas depois foi abandonada por volta do ano 1600. Atualmente, milhares de turistas visitam as ruínas de Tulum diariamente. De fato, trata-se de uma possibilidade muito boa de ter uma idéia dos costumes e estilo de vida do povo que ali viveu. A paisagem do mar do caribe que se vê das partes mais altas das ruínas é magnífica. Dali saímos em busca de um Cenote, pois queríamos experimentar a sensação de mergulhar em um deles. Os cenotes são grutas na rocha calcárea que têm pequenos poços de água doce alimentados por rios subterrâneos. Nada melhor depois de uma viagem cansativa que um mergulho nas águas completamente transparentes e frias de um cenote. É como mergulhar em um aquário. Os maias paraticavam um ritual grotesco que consistia em jogar pessoas dentro de cenotes e os que sobreviviam eram considerados de linhagem sagrada. Sobrevivemos todos! Depois resolvemos dar uma esticadinha e fomos um pouco mais ao norte até a belíssima Playa Del Carmen e ao badalado balneário de Cancún. Alí me atrevi a experimentar a cozinha típica mexicana que é deliciosa e não corresponde a fama de ser intragável por ser muito condimentada. Entao, depois de percorrer mais de 800 km em dois dias voltamos para Mérida muito cansados e mais experientes e cultos. 

Oitavo dia:
Cidade do México. Após o café da manhã mexicano, que mais parece um banquete, fomos de táxi para o Museu Nacional de Antropologia. Situado em um edifício monumental é uma síntese da evolução humana na região. De uma forma bem didática pode-se acompanhar como os diversos povos que habitaram a região viviam.
Há muitos artefatos e réplicas de edifícios dos maias, mexicas, toltecas, teotihuacanos e outros povos que com os conquistadores espanhóis formam a origem do atual  povo mexicano.
Em seguida iniciamos nossa volta para casa.
Entrada do Museu Nacional de Antropologia do México


Comentários

  1. Nossa que viagem fantástica, que belas fotos e que radiante felicidade está estampada nos seus rostos. Essa é uma próxima viagem que eu e o Antônio vamos fazer. Adorei e espero que depois dessa 2012 venha com muito mais. É isso meus irmãos, desbravar o mundo e voltar para o que é nosso é o ponto culminante de qualquer viagem. Quero ser uma land rover( andarilha da terra) com residência fixa.

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